BIM: a história se repete
- Renê Ruggeri
- 14 de fev.
- 2 min de leitura
Uma questão leva a outra, que leva a outra, e quando a confusão se instala, surge a necessidade de revisar conceitos fundamentais. Entre debates técnicos e opiniões divergentes, a pergunta essencial é: o que é BIM?
Infelizmente, todo debate se perde no tecnicismo e se afasta do “o que” quando começa a discutir o “como”, ou o “por que”. Mas a questão é clara e objetiva: o que é o BIM?
BIM não é uma metodologia
Muitos definem o BIM como uma metodologia, mas isso não é estritamente correto. Assim como há algumas metodologias para resolver equações do segundo grau, também podem existir múltiplas metodologias para aplicar BIM. No entanto, a metodologia para algo não se confunde com o próprio algo. Logo, se o BIM fosse metodologia, ele seria apenas um outro jeito de fazer a mesma coisa e não haveria qualquer evolução essencial. Sabemos que ele não é assim.
CAD: a evolução do desenho tradicional
O CAD é amplamente reconhecido como um substituto da prancheta, pois manteve os elementos do desenho tradicional: pontos, retas e planos. A maioria dos profissionais usa o CAD de forma muito básica, e poucos exploram seu potencial para trabalhar com informações (afinal CAD se baseia em softwares).
Apesar dos avanços tecnológicos, o CAD continua baseado em relações geométricas. Seus objetos fundamentais carecem de propriedades físicas e informações integradas, embora se tenha avançado bastante nesse quesito. De qualquer forma, as informações são “penduradas” extemporaneamente nos objetos, não participando de sua criação.
BIM: inteligência e natureza
O BIM não se preocupa com pontos e retas, pois seu fundamento são objetos tridimensionais definidos por informações. Enquanto no CAD as relações entre elementos são puramente geométricas, no BIM elas são mais complexas: uma janela depende de uma parede, um tubo só se conecta se houver compatibilidade dimensional.
A diferença essencial é que, no CAD, associar informação aos objetos é um artifício, enquanto no BIM isso é inerente à sua natureza. Não há, no BIM, objeto sem informações atribuídas.
Mais que a definição dos objetos, os sistemas BIM carregam regras de relacionamento entre eles, as vezes bastante complexas, um nível adicional de inteligência.
BIM e CAD: estruturas para o PDP
BIM e CAD são evoluções com paradigmas diferentes.
O CAD permitiu estruturar um Processo de Desenvolvimento do Projeto (PDP) baseado em elementos geométricos transformados em informações que simbolizam a realidade
O BIM abre uma nova estruturação para o mesmo processo, agora usando informações para modelar objetos geométricos que reproduzem (digitalizam) a realidade.
O mercado se ajustou ao CAD de forma bastante limitada, o que vem ocorrendo também com o BIM. Muitos adotam a ferramenta sem explorar todo o seu potencial, mas pequenos núcleos de excelência se destacam.
O futuro: um novo paradigma?

Assim como o processo de projeto vem incorporando o BIM, o futuro trará novas revoluções. Talvez um modelo baseado em inteligência artificial avançada, que usará conhecimentos para propor soluções que transformam a realidade. Nesta situação, restará a arquitetos e engenheiros saberem auditar as proposições, validando ou não sua adequação aos interesses da sociedade.
A história se repete, e o desafio permanecerá sendo aproveitar cada vez mais o potencial dos próximos paradigmas.
Comentarios